4.10.05

Cidade dos sonhos

No espaço livre da união eu me perco.
No espaço em que “eu” viro “nós”,
Em que meu olho é nosso olho,
E tua voz é nossa voz.

No espaço em que gememos
Acordes de prazer inefável.
No espaço em que morremos
Desse gozo insustentável.

Na cidade dos sonhos,
Da conjunção impossível,
Do sexo com Deus tornado carne,
Do nexo com Deus tornado crível.

Estamos completamente fora de nós,
E mesmo assim, estou inteiramente em ti,
Tanto, que todo teu ser me preenche:
O momento é mágico, o lugar é aqui.

Eu te beijo,
E no mundo inteiro só existe a tua boca.
Eu te sugo,
E no mundo inteiro só existe teu seio.
Eu gozo dentro ti,
e o mundo é tua boca e tua boca é teu seio e teu seio é ofegante e escaldante é envolvente e muito quente é perfumado e suado é duro e turbilhão e no teu espaço escuro eu encontro a salvação.