Papel
Eu trato o papel da mesma maneira que te trato:
com desprezo.
Sim, e nesse contraditório ato,
com desespero
eu busco cego o teu abraço.
Mas não sucedo.
Não me retrato.
Continuo dobrando, amassando e riscando o papel,
Porque vejo nele teus olhos cor-de-céu.
Às vezes, como um grafiteiro marginal
Picho obscenidades
Por sobre toda tua brancura virginal,
Tentando, com maldades,
Participar um pouco da tua pureza especial.
Mas não sucedo,
Não me retrato.
Continuo dobrando, amassando e riscando o papel,
Como isso amenizasse da minha vida o fel.
Finalmente, consigo perverter tua essência
E trazer-te ao chão comigo.
Abraçados, caímos juntos na indecência,
Da luz e das pessoas ao abrigo,
E é em vão que me pedes clemência.
Eis que enfim sucedo,
Mas não me retrato!
- Continuo dobrando, amassando e riscando teu coração,
Qual me desse prazer tal bizarra oração...
com desprezo.
Sim, e nesse contraditório ato,
com desespero
eu busco cego o teu abraço.
Mas não sucedo.
Não me retrato.
Continuo dobrando, amassando e riscando o papel,
Porque vejo nele teus olhos cor-de-céu.
Às vezes, como um grafiteiro marginal
Picho obscenidades
Por sobre toda tua brancura virginal,
Tentando, com maldades,
Participar um pouco da tua pureza especial.
Mas não sucedo,
Não me retrato.
Continuo dobrando, amassando e riscando o papel,
Como isso amenizasse da minha vida o fel.
Finalmente, consigo perverter tua essência
E trazer-te ao chão comigo.
Abraçados, caímos juntos na indecência,
Da luz e das pessoas ao abrigo,
E é em vão que me pedes clemência.
Eis que enfim sucedo,
Mas não me retrato!
- Continuo dobrando, amassando e riscando teu coração,
Qual me desse prazer tal bizarra oração...
4/10/2005

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