25.5.07

anversos

poema quer-se impessoal.

verso quer-se anti-verso.

lira, anti-lírica:

abertamente abstrata.


poema quer purgar emoção,

quer cuspi-la, vomitá-la,

modo qualquer de mandá-la embora.

verso quer-se mais que verso.


poesia quer, porém, alienar-se?

quer acaso seu ocaso?

quer conformar-se a ser

letras pretas, livros em branco?


- mundo tão imundo para ela.

céu vestido em cinza, gris.

sol em si mesmo absorto.

solo seco, estéril, morto.


realidade kafkiana,

pálida, anti-cálida.

paredes tão retas.

emoção? uma palavra apenas.

10.5.07

paranóia

luzes ruas esquinas das

cidades sustentam paranóias

invadem os corpos

alucinando os espaços


metrópoles devoram famintas

vestidas de Prada apressadas

indo para algum lugar

para onde corremos


humanos pixels pretos

aos milhões não significam

pessoas viramos números

multiplicados e divididos


luzes coloridas epiléticas

informações em terabytes

via internet sonhos virtuais

prontos para comer


paranóias metropolitanas

sustentando devoram

contatos mediados

por contratos abstratos


ao som tecno-ensurdecedor

ações sobem e descem

fazendo particulares

os delírios públicos


prazeres sob medida

concretos absurdos

monologam paralelos

sem nunca o tocar