crepúsculo
passam as nuvens em branco.
plácida vaga a jangada
e a noite abre-se funda.
negro fecunda em silêncio.
atracado, um barco estático.
deleitam-se deitados,
desnudos, daquele êxtase
efêmero e profano.
entidade, ser, presença,
dádiva macia e quente.
desfaz-se a carne em suor
por sobre dobras, entre as partes.
odores acres e duros
confundindo a firmeza.
calores açucarados.
quer-se mais, requer-se o eterno.
arqueados são os corpos,
cuidando-se para sempre.
colam-se, belas, as curvas
num infinito contido.
