30.1.08

crepúsculo

passam as nuvens em branco.

plácida vaga a jangada

e a noite abre-se funda.

negro fecunda em silêncio.



atracado, um barco estático.

deleitam-se deitados,

desnudos, daquele êxtase

efêmero e profano.



entidade, ser, presença,

dádiva macia e quente.

desfaz-se a carne em suor

por sobre dobras, entre as partes.



odores acres e duros

confundindo a firmeza.

calores açucarados.

quer-se mais, requer-se o eterno.



arqueados são os corpos,

cuidando-se para sempre.

colam-se, belas, as curvas

num infinito contido.